Quinta-feira, Março 12, 2009

apaga-me... por favor

© BLUEARTIC.DEVIANTART.COM

Se a chama que está dentro de ti se apagar, as almas que estão ao teu lado morrerão de frio.

François Mauriac (1885-970),
escritor francês

Sábado, Março 07, 2009

esquece o carteiro

© GETTYIMAGES














Recordam-se dos tempos das cartas, não existia e-mail, HI5, Facebook, Messenger, SMS, telemóvel e todas as outras parafernálias tecnológicas?

Lembram-se da quase uma semana que demorava a chegar a carta e outra semana para receber a resposta (quando chegava)?

O ritual de escrever à mão sem teclado, sem smiles, sem animações, sem sons, quem tinha alguma destreza aventurava-se a desenhar no espaço livre, e depois, comprar o selo e mais uma vez para os audazes, uma lambidela no selo (a cola era doce) colava-se e metia-se no marco do correio.

- Ufa! Já está!

Quantos casais, namorados, amigos se comunicavam assim e com os esporádicos telefonemas?

- Ena tanta pergunta… Só mais umas.

Os casamentos eram piores? Os namoros, as amizade eram menos sentidas?

Claro que não, uma esposa, um namorado, um amigo que merecia a estafa de escrever uma carta, comprar envelope, comprar selo e ir ao marco do correio é porque era mesmo importante e marcante na vida de quem escrevia.

A vida era mais lenta e calma, menos imediatista e consumista, prezando-se significativamente a qualidade à quantidade, claramente dando tempo à consolidação dos afectos.

A carta tem glamour, tem cheiro, tem tacto, tem até ADN (restinhos pequeninos de pele e baba de saliva por trás no selo e na cola de fecho do envelope, isto para os audazes, claro), o e-mail tem um clique, tem uma leitura na transversal, pois temos de ser rápidos porque existem mais uns quantos para ainda ler, frios e assépticos.

A parafernália tecnológica de comunicação é óptima, liga-nos ao mundo, estamos sempre ao alcance da informação, a imensa e basta informação está lá para nos ser útil mas também inútil, distractiva, perturbadora, influenciadora e quase totalitária por vezes.

Quase que não ter pelo menos uma das ferramentas destas tecnologias no bolso ou à distancia de um clique é um convite à exclusão.

Mais do que nunca, nunca se viram tantos círculos de amigos, tão grandes, catalogados e classificados das mais diversas formas, serás bom ou mais amigo­­/namorado/marido pela quantificação de um (ou vários) dos seguintes itens:

- nº de sms por dia (rácio semana);
- posição em que estou listado na Friend List (Hi5, Facebook, etc);
- no Messenger, falas ou não;
- estou na tua mailling list de e-mails cool;
- recebo toques telemóvel, recebo dedicatórias e mensagens no Hi5, Facebook...
- comparação de sms, de comentários no HI5's e afins, de imagem e smiles, enviados a outros amigos da rede (medição de afecto);
- etc

A insipidez e frieza destes meios, cria e suporta relações, dá-lhes valor afectivo mascarado e ainda serve para medir relações.

- Perdeu-se o glamour, ganhou-se a rapidez…
- Perdeu-se a paciência, ganhou-se a satisfação imediata…
- Perdeu-se os sentido de espaço, ganhou-se o não há limites para quase nada.

A mensagem da palavra, da frase, do parágrafo, do texto já não interessa e ninguém tem paciência para ler, entender compreendendo, assimilar, agora a mensagem é pela quantidade, é pela animação flash, é pela colecção de hits, de estrelinhas, de visitas, de sms, de toques…

- É…

É quantidade e quantidade e assim me mede uma amizade e tudo o resto.

Ainda me recordo do carteiro fardado e de bicicleta, saudade da paciência e calma de saber esperar aprendendo e assimilando afectos, lendo e relendo cada parágrafo, cada letra, cada frase como se cada leitura fosse a primeira. A emoção de escrever, a emoção de receber, tudo tão ritualista (no sentido da celebração de afectos), excitante e sentido.

Actualmente estar contactável é escravidão tecnológica completamente confundível com afectos electrónicos, um toma lá um beijo em bit e byte e uma devolução de outro beijo com outros quantos bits e bytes.

As parafernálias tecnológicas, as redes sociais, vieram para ficar, usa-las com espírito ritualista e do escrever uma carta, ler como se fosse - a carta - pode ser um caminho entre tantos outros, talvez uma tentativa de aquecer a gélida tecnologia, e os imediatistas e frívolos afectos.

- Nunca antes estivemos tão próximos e tão distantes.

H.

Quinta-feira, Janeiro 17, 2008

equívoco

Sincero

Sei o que quero
E não quero

...procurar!

Recordo onde procurei e não achei
Ignoro como encontrar onde procurar

Encontrei...

Receio de achar
O que quero e não quero

Severo...

H.

Quarta-feira, Dezembro 27, 2006

Feitiço

de H.


Videoclip: Feitiço (André Sardet)

Certa noite andava sem rumo, o brilho de uma estrela torna-me cativo de um futuro incerto.

Descobri... Meu rumo é em sua direcção e sentido.

Caminho com rumo mas sem conhecer os obstáculos do percurso,sem conhecer o melhor caminho, mas o alcançar de seu brilho é meu desígnio.

Caiu, levanto-me, saro a minhas feridas, escalo montanhas,nado por águas turbulentas, contorno pântanos mas não desisto.

Porque felicidade é lá, junto do brilho daquela estrela, é lá que está a minha magia de fado.

Segunda-feira, Dezembro 25, 2006

"alegre" busca

© LARAFAIRIE.DEVIANTART.COM












Na sua busca da alegria, descobri nela a covardia da quietude face à inquietude de sentir numa envolvente de malogrado fazer inoperante.

Imagino-a agora, desilude-me seu gélido ser, a magia desvanece mas o amor permanece no entanto a força para o caminho sem estrela guia definha, não compreendo sua superficialidade.

Ela continua a sua "alegre" busca...

"As alegrias passageiras encobrem os males eternos que elas próprias causam." Blaise Pascal

Ignoro o seu verdadeiro fazer, a sua verdadeira senda pela alegria substancial... Superficial, ignorava-A assim... Lúgubre toma-me.

Seu amor, amar, verdade... Onde está?!

O que há para acreditar?

Assim não se ama, assim não vale a pena acreditar e buscar pelo seu brilho, não há em que acreditar... De nada vale fazer... De nada vale lutar...

Não vale a pena lutar porque ali não há amar.

(...) errado?

Sábado, Dezembro 23, 2006

Boas Festas sem tretas

© PAVLOVA.DEVIANTART.COM













A incapacidade de deixar o amor sair da Infância Emocional do ser é deprimente.

Exaltar o amor é tema de filme, novela, livro, teatro... Umbigo, extrapolações aligeiradas, desrespeito completo pela plenitude de amar... Sim, exaltar o amor na vida real é uma treta.

Boas Festas sem tretas, ofereçam amor... Experimentem e vejam que acontece.

Quarta-feira, Dezembro 20, 2006

Nada vale nada

© GETTYIMAGES















Rios secos de lágrimas povoam o meu nada, porque o nada agora é tudo em meu ser, é o meu todo. Não há estrela guia, não há magia de fado, não há nada. Há amor, mas esse está a ser estrangulado e aniquilado pelo corajoso orgulho frio. Amar é fraqueza, viver orgulho é grandiosa coragem... Com este tipo de "coragem" não há nada, porque nada vale nada.

Carne Picada

© GETTYIMAGES














Na acidez do seu ser, na frieza do seu viver e no orgulho do seu querer, foi imerso neste clima que constatei à poucas horas que olhar um hambúrguer é mais aprazível e preferível a olhar para mim, perante tão torpe insinuação senti-me pior que "fast-food", incendiei-me por dentro e morri incinerado em frieza.

Pior que carne picada, senti-me supérfluo, o sentimento agonizante de tal constatação aniquilou-me... Mas renasci ali mesmo...

Ignorante, agora não me reconheço, tão pouco me conheço, sinto-me a existir apenas.

A existir novamente para ser morto e incinerado com orgulho e frieza de novo?!

É uma vil existência, existirmos para ser consumidos... Não quero, não me submeto mais, regurgito asco perante tal abjecta existência.

CHEGA!!!

Ai Fénix como não invejo tua sorte, não invejo a tua capacidade de renascer das cinzas, de te refazeres da destruição.

Simplesmente não quero a destruição, consequentemente não quero a dor do renascer...

NÃO!!!